O sonho de Putin tornou-se o principal alvo da Ucrânia. Agora o pesadelo pode estar só a começar

O sonho de Putin tornou-se o principal alvo da Ucrânia. Agora o pesadelo pode estar só a começar

Refinarias a arder tornaram-se o novo normal na Rússia, que vê o principal motor da sua economia em perigo

Há 13 anos o presidente da Rússia declarava, com pompa e circunstância, a abertura de um centro tecnológico “extraordinário”. Quase como tudo o que faz mover a economia do Kremlin, estava ligado à energia, estava ligado ao petróleo.

Era o porto de Tuapse, no Mar Negro, onde a Rússia tinha acabado de abrir a sua unidade de transformação de petróleo mais poderosa e sofisticada.

Avançando no tempo até 2026, esta infraestrutura é novamente símbolo do avanço tecnológico, mas da Ucrânia. Tuapse continua a pertencer à Rússia, claro, mas a central que era a menina dos olhos de Vladimir Putin - o sonho de revitalizar e remodelar o programa energético era antigo - é agora uma memória viva de como a Ucrânia conseguiu transformar a sua capacidade de atingir o inimigo.

Ali, como em tantas outras infraestruturas decisivas para as infraestruturas petrolíferas da Rússia, a Ucrânia tem atacado insistentemente com drones, atingindo o Kremlin onde mais lhe dói, no maior motor da sua economia.

A refinaria de Tuapse está entre os locais mais atingidos pela Ucrânia nos últimos meses, marcados por uma onda de ataques precisos de longo alcance, quase todos eles com drones, numa mudança levada a cabo depois do notável avanço tecnológico das forças ucranianas.

Uma análise do Financial Times baseada em fotografias, imagens de satélite ou dados infravermelhos mostra que os danos infligidos pela Ucrânia às refinarias da Rússia duram várias semanas, por vezes meses.

Segundo o jornal britânico, a campanha de drones da Ucrânia já está a provocar a pior crise petrolífera na Rússia na era pós-União Soviética. Estima-se que entre 30% a 45% da capacidade de produção do país esteja afetada, em grande parte mesmo destruída.

Um dos últimos ataques ocorreu em abril, quando duas operações fizeram de Tuapse um cenário de guerra, com várias nuvens negras que provocaram mesmo a queda de chuva tóxica.

O Financial Times refere que só essa vez destruiu cerca de 80 mil metros cúbicos de armazenamento em reservatórios de grande e média dimensão. Além disso, os drones terão também conseguido destruir uma unidade de processamento secundário que fazia parte de um programa de modernização pedido por Vladimir Putin. A refinaria original de Tuapse é tão atinga que há registos da CIA dos anos 50. Agora parece estar a voltar para trás na sua modernização, mas à boleia da Ucrânia e dos seus ataques.

Uma análise mais alargada mostra que, para lá de Tuapse, os danos entre as 10 maiores refinarias da Rússia também se estendem a Omsk ou Moscovo. Muitos deles são até visíveis a olho nu, o que surpreendeu residentes da capital ou de São Petersburgo, muitos deles sem noção real do que se passa na Ucrânia.

Kiev deve continuar a operação com drones e Volodymyr Zelensky até mandou intensificar o programa de ataques de longo alcance. O sonho de Vladimir Putin está, portanto, a virar pesadelo, e a Ucrânia promete continuar. Está a resultar, pelos vistos.