Novo longa do herói vivido por Tom Holland alcança o equilíbrio entre ação e emoção, em experiência genuinamente divertida
Gerando resumo
Em 2021, Homem-Aranha: Sem Volta Para Casa se jogou em um espetáculo multiversal ao colocar o herói ao lado de duas versões anteriores (e seus respectivos vilões). Agora, seu novo filme, o quarto do britânico Tom Holland, opta por uma abordagem mais contida e pé no chão – e acerta em cheio com uma aventura que consegue alcançar o raro equilíbrio entre ação e emoção.
Homem-Aranha: Um Novo Dia começa de onde seu antecessor parou: após perder a tia May (Marisa Tomei) e se sacrificar pedindo que o Doutor Estranho (Benedict Cumberbatch) fizesse todos esquecerem que ele é o Homem-Aranha, Peter Parker leva uma vida solitária na cidade. Ele dedica sua vida a combater o crime, colaborando com a detetive DeWolff (Liza Colón-Zayas, a Tina de O Urso, em ótima participação).
Entre um criminoso e outro, ele acompanha pelas redes sociais, com pesar, as vidas de seu melhor amigo, Ned Leeds (Jacob Batalon), e de sua antiga namorada, MJ (Zendaya), que não guardam nenhuma memória dele. Os dois se formam, vão para o MIT e, anos depois, retornam a NY. É o gatilho para um reencontro gradual – e para um quase burnout do herói.
A exaustão e a solidão pesam sobre Peter, o que afeta seu DNA aracnídeo e, consequentemente, suas habilidades. É um complicador quando surge a verdadeira ameaça da trama, capaz de se manifestar em qualquer pessoa a seu redor, em um processo descrito como semelhante a uma possessão.
O herói se vê vulnerável e em uma crise de identidade, ao mesmo tempo em que lida com o dever de ajudar seus amigos, também em perigo, e parar um inimigo que ameaça a paz de Nova York. É um Peter mais maduro e que, na relação com a metrópole, resgata um elemento essencial dos quadrinhos, mas pouco retratado até agora nos filmes estrelados por Tom Holland.
O ator, vale notar, entrega aqui sua melhor atuação como o Amigão da Vizinhança, indo além de seu habitual carisma e do bom timing cômico para retratar também o peso dramático que o papel exige. E ele é bem acompanhado, especialmente por Sadie Sink. Recém-chegada à franquia, a atriz que ganhou fama como a Max de Stranger Things se prova como um dos grandes nomes de sua geração.
O roteiro de Chris McKenna e Erik Sommers tem o mérito de compor uma aventura com coração, capaz de genuinamente emocionar. Eles escapam de soluções fácil no que diz respeito a Ned e MJ, o que é especialmente positivo para a personagem de Zendaya, que ganha mais estofo.
Os heróis que acompanham Peter na história também servem à trama, e não ao simples fan service, com destaque para Frank Castle, o Justiceiro (Jon Bernthal, reprisando o papel que viveu nas séries da era Marvel-Netflix), com quem o protagonista forma uma amizade inusitada. O Hulk (Mark Ruffalo) retorna com a chance de mostrar plenamente seus poderes – e uma outra participação especial injeta bom humor no filme.
E embora este seja provavelmente o filme mais humano desta encarnação do Teioso, ele também tem sequências memoráveis de ação, comandadas com precisão pelo diretor Destin Daniel Cretton, mais conhecido por Shang-Chi e a Lenda dos Dez Anéis. São cenas bem coreografadas, bem executadas e que imprimem tensão à trama – com o bônus de acontecerem, principalmente, à luz do dia, sem o emprego exagerado de efeitos especiais que se tornou tão comum no gênero.
O resultado é que Homem-Aranha: Um Novo Dia é o que todo filme de super-herói deveria almejar ser: uma aventura divertida e emocionante, que faz o público querer passar mais tempo com aqueles personagens, naquele universo.