CONMEBOL pede prudência enquanto plano milionário da FIFA fica em risco

CONMEBOL pede prudência enquanto plano milionário da FIFA fica em risco

Confederação sul-americana solicita mais esclarecimentos sobre o projeto, enquanto o New York Post garante que a operação de 4,2 mil milhões de dólares colapsou

A CONMEBOL reagiu esta sexta-feira ao projeto FIFA Forward Enterprise (FFE), a estrutura através da qual a FIFA pretende captar investimento privado para explorar os direitos comerciais dos Mundiais.

Sem assumir uma posição de rejeição, ao contrário da UEFA ou a AFC, a confederação sul-americana apelou à prudência, informou que pediu esclarecimentos adicionais ao organismo liderado por Gianni Infantino e reiterou que «o futebol está sempre primeiro».

Em comunicado, a CONMEBOL explicou que, após tomar conhecimento da proposta, iniciou um processo de consultas junto das associações nacionais e convocou uma reunião do Conselho para analisar o projeto. A confederação revelou ainda que solicitou à FIFA informação adicional sobre o alcance, a estrutura, a governação e os possíveis efeitos da FFE, garantindo que continuará a agir «com prudência, responsabilidade e espírito de colaboração».

A posição da CONMEBOL surge numa altura em que o projeto enfrenta dificuldades crescentes. Segundo o New York Post, a operação para vender cerca de 20 por cento da nova entidade comercial da FIFA, avaliada em 20 mil milhões de dólares, acabou por colapsar. O jornal norte-americano refere que o fundo Thrive Capital, liderado por Joshua Kushner, e o banco JPMorgan abandonaram o processo, depois da forte contestação das federações e confederações.

Também o antigo presidente da FIFA, Sepp Blatter, criticou duramente a iniciativa. Numa publicação na rede social X, o suíço defendeu que «a FIFA não é um fundo de investimento privado», lembrando que o organismo «é uma associação com estatutos, regulamentos e a responsabilidade fiduciária de proteger o futebol mundial».

«Se venderem as joias da coroa do futebol a investidores privados, também vendem uma parte do jogo – especialmente a sua alma. O dinheiro importa, mas nunca pode tornar-se tudo», avisou Blatter.

Apesar das notícias sobre o eventual fim da operação, a FIFA reiterou que "ninguém está a vender o futebol" e garantiu que continuará a procurar formas de reforçar o financiamento destinado ao desenvolvimento da modalidade.